Em gesto simbólico, estrela democrata não menciona Biden e defende legado de Sanders em convenção

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Em uma brevíssima aparição na segunda noite da convenção democrata, a deputada Alexandria Ocasio-Cortez defendeu o legado de Bernie Sanders, em um gesto simbólico que a consolida como líder da esquerda do partido. O aceno, como explicou a própria deputada minutos depois nas suas redes sociais, seguiu as regras da convenção. “Se você ficou confuso, não se preocupe! As regras da convenção exigem chamada e nomeações para cada candidato que ultrapassar o limite de delegados. Fui convidada para falar pelo senador Sanders”, escreveu Ocasio-Cortez para, em seguida, parabenizar Joe Biden. “Vamos ganhar em novembro.” Sanders desistiu de concorrer em abril e, em discurso nesta segunda-feira (17), havia pedido a todos os seus eleitores que votassem em Biden. O ex-vice de Barack Obama conseguiu a maioria dos delegados do partido e ganhou a nomeação nesta terça-feira (18). Em seu discurso de pouco mais de um minuto, AOC, como é conhecida, não citou Biden e celebrou o que chamou de “movimento popular de massa” liderado pelo senador por Vermont. Segundo a deputada, Sanders ungiu uma onda para estabelecer direitos humanos, econômicos e sociais para todos os americanos, além de lutar para reparar as feridas de injustiça social, misoginia e homofobia na sociedade americana. Com a postura, AOC marcou sua posição à esquerda, sinalizando a eleitores jovens e progressistas que as bandeiras levantadas por Sanders desde 2016 seguirão carregadas por ela. Não que o senador por Vermont vá abandonar as trincheiras, mas, aos 78 anos, o ícone da esquerda democrata já tem celebrado o legado e sinalizado que não deve mais disputar a nomeação à Casa Branca. Mulher de origem latina, a deputada mais jovem a ser eleita à Câmara dos EUA representa uma encruzilhada ao futuro do establishment democrata. Nos próximos anos, independentemente do resultado das eleições, a cúpula da sigla precisará decidir como se posicionar diante do movimento que deslocou o partido para a esquerda de maneira histórica nos últimos anos. A imagem de AOC na convenção nesta terça -o evento aconteceu pela primeira vez de maneira virtual em razão da pandemia- escancarou as diferenças ideológicas mas, principalmente, geracionais que marcam a sigla de oposição a Trump. O selo anti-Trump uniu a velha e a nova guarda democrata na convenção -também na terça, discursaram os ex-presidentes Bill Clinton e Jimmy Carter e o ex-secretário de Estado americano John Kerry, entre outros. O pragmatismo de AOC, por sua vez, deixa claro que a convergência de agora serve para derrotar Trump -ela não se coloca contra a candidatura de Biden-, mas reforça que vai seguir alimentando o movimento progressista, pressionando a cúpula democrata a se sintonizar com as demandas de sua base eleitoral. Desde sua abertura, na segunda-feira (17), a convenção democrata tenta mostrar que o arco de apoio em torno do ex-vice de Obama é bastante amplo, abarcando desde os mais progressistas, que foram às ruas contra o racismo e a violência policial, até os republicanos cansados dos arroubos do atual presidente. Apesar disso, a campanha de Biden preferiu não dar muito tempo de discurso a Ocasio-Cortez, para não afastar eleitores moderados e evitar dar força à tese de Trump de que Biden está ligado ao que chama de esquerda radical, na visão do presidente, representada pela deputada e por Sanders. Duas vezes segundo colocado na indicação democrata à Casa Branca, o senador por Vermont precisou adotar um tom conciliador para tentar unir o partido em torno de Biden. Em 2016, quando perdeu a indicação para Hillary Clinton, Sanders rachou a sigla, o que contribuiu para uma derrota amarga dos democratas contra Trump. Durante a abertura da convenção, Sanders falou em união até mesmo entre conservadores e aqueles que votaram no atual presidente há quatro anos, mas não deixou de celebrar seu espólio, ao dizer que suas propostas de saúde e educação grátis para todos eram consideradas radicais na eleição passada e agora entraram de vez para o debate central do partido. Apesar de seguir na atuação política, o senador precisará passar o bastão de sua liderança em breve, e Ocasio-Cortez levanta a mão para ser herdeira como nova líder desse legado. Os eleitores jovens, que se sentem inspirados por AOC e Sanders, preocupam-se com questões sobre mudanças climáticas, cuidados com a saúde, dívidas estudantis e moradias populares. Mesmo que Biden vença, ambos prometem seguir impulsionando o partido -e cobrando o governo- neste sentido. Sanders diz que sua base moveu o país “em direção nova e ousada” e que, apesar de ter desistido de disputar a Casa Branca, seu movimento “continua e se fortalece a cada dia.” Agora, o establishment democrata sabe que há muitas ramificações para além de Sanders, e que AOC se coloca como quem pode liderar uma plataforma cada vez mais forte e que não deve ser ignorada.

Deixe um comentário