Dor de cabeça persistente pode ser sinal de câncer

Tumores cerebrais matam mais de 9 mil pessoas por ano no Brasil, segundo o Inca
Lorraine Juri é médica radioterapeuta do IRV. (Foto: Hugo Boniolo)

Dor de cabeça persistente e progressiva pode ser indicativo de uma doença que mata 9 mil brasileiros por ano, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca): o tumor cerebral. Por ano, são registrados mais de 11 mil novos casos no Brasil.

A médica radioterapeuta Lorraine Juri, do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV), explica que não existe até o presente momento uma forma específica de prevenir esse tipo de câncer.

“A detecção precoce é realizada em pacientes com sintomas sugestivos da doença, através de exames clínicos e de imagem”, afirma a médica.

O câncer de cérebro é o tumor que atinge o tecido do Sistema Nervoso Central (SNC), podendo ter origem primária (do próprio cérebro e/ou meninges) ou secundária, como metástases provenientes de outras regiões.

Nos adultos, os tumores mais comuns são o astrocitoma anaplásico, que se desenvolve a partir de células em forma de estrela (astrócitos), que ajudam no funcionamento de células nervosas do cérebro ou da medula; e o glioblastoma multiforme, que atinge as “células da glia”, que auxiliam na composição do cérebro e nas funções dos neurônios.

Segundo a especialista, o glioblastoma é um tumor maligno agressivo: a cura é difícil e o tratamento permite uma sobrevida de até três anos. Nas crianças, o panorama é melhor: a taxa de cura para lesões malignas pode chegar a 80%. 

Principais sintomas
Reforçando a campanha Maio Cinza, criada para a conscientização sobre a prevenção do câncer cerebral, Lorraine Juri alerta para alguns sintomas que muitas vezes acabam sendo negligenciados.

“Dor de cabeça persistente e progressiva, convulsões, crises epilépticas, vômitos, algum déficit neurológico como alterações visuais, motoras, da fala e formigamento não podem ser ignorados, pois podem indicar a existência de tumor no cérebro”, detalha a especialista. 

As causas deste tipo de câncer são multifatoriais, algumas adquiridas durante a vida e outras hereditárias, como por exemplo a neurofibromatose. 

Lorraine Juri explica que existem algumas alterações moleculares genéticas que acontecem nesses tumores, mas em sua grande maioria não há nenhuma causa identificada. 

“Dentre os fatores que aumentam o risco estão a exposição à radiação, como no caso de profissionais que trabalham com raio X; pacientes que se submetem à radioterapia ou exames excessivos com radiação, como a tomografia; e deficiência do sistema imunológico, como o HIV”, afirma.

Há ainda fatores ocupacionais que podem desencadear a doença, como exposição ao arsênico, chumbo e mercúrio; trabalhar em empresa petroquímica, indústria de borracha, plástico, entre outras; e exposição a agrotóxicos na agricultura.

No geral, o diagnóstico é feito por meio de biópsia e ressonância magnética do crânio.

Já o tratamento inclui cirurgia para remoção do tumor, que pode ser associada à radioterapia.

“As opções de tratamento incluem neurocirurgia, radioterapia e terapia sistêmica. No caso da radioterapia, ela pode ser feita de forma isolada, para combater o foco do tumor, ou de maneira complementar à cirurgia, para evitar que o câncer volte. Há chance de cura”, disse Lorraine Juri.

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