Pilar defensivo, Luan Peres é aposta do Santos na Libertadores

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

SANTOS, SP (FOLHAPRESS) – Cuca convocou os jogadores do Santos para uma reunião aparentemente protocolar no hotel Sheraton, em Porto Alegre, no início da tarde do dia 3 de fevereiro. Apenas três dias depois da derrota para o Palmeiras, nos minutos finais da decisão da Libertadores, no Maracanã, a equipe tinha a missão de enfrentar o Grêmio, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro -sem Marinho e Soteldo, machucados- e iniciar uma arrancada improvável para voltar ao torneio sul-americano. Ocupava só a 11ª colocação. O técnico usou o encontro para falar em tom emocionado, citou que gostaria de ter feito coisas diferentes pelo desfecho com a conquista da América, inclusive a polêmica expulsão no fim do jogo, e lembrou de todas as dificuldades superadas pelo elenco para chegar até ali. “Foi uma das coisas mais fortes que vivi no futebol. Ele falou que estava arrasado mesmo pela final, foi um momento de desabafo dele. O Cuca disse o quanto éramos homens, guerreiros, que esse era o grupo mais f… que já tinha trabalhado. Saímos dali muito motivados”, conta à reportagem o zagueiro Luan Peres. O discurso foi sucedido por um empate em 3 a 3 na Arena Grêmio, com uma grande reação após ficar em desvantagem por 3 a 1 no placar, com um jogador a menos devido à expulsão de Sandry. Os acontecimentos na capital gaúcha impulsionaram o time ao gás final no Brasileiro, que assegurou um oitavo lugar e a última das vagas para a fase preliminar da Libertadores. Nesta terça-feira (9), às 19h15, diante do Deportivo Lara (VEN), na Vila Belmiro, a equipe reinicia a sua caminhada na Libertadores com um novo treinador -o argentino Ariel Holan, 60, apenas em seu segundo jogo pelo clube -e sustentado por pilares de uma guinada que quase acabou com o título na última temporada. A Fox Sports transmite o jogo. “O peso de voltarmos a disputar a Libertadores é muito grande, mas seguramos um pouco a parte financeira e, se precisarmos, faremos contratações pontuais para a competição dentro de um critério. Não temos condições de fazer nada no momento”, explica o presidente Andres Rueda. Sem reforços, devido a grave crise financeira e uma punição que ainda perdura junto à Fifa, coube ao Santos apostar nos remanescentes. Para a temporada, a única contratação foi justamente a do zagueiro Luan Peres por 3 milhões de euros (cerca de 20 milhões), costurada e bancada com o dinheiro da classificação na última semifinal, após derrotar o Boca Juniors. “Deixo claro que nós pagamos, não fizemos só uma promessa de pagamento. Hoje o Luan é um ativo do clube. Foi uma decisão estratégica no momento, fizemos um esforço e uma operação pensada para mantê-lo”, conta Rueda. A permanência de Luan Peres foi assegurada com a extensão do empréstimo junto ao Club Brugge (BEL) por um mês e a promessa de uma negociação definitiva em caso de classificação à final. Luan tinha contrato com o clube até 31 de dezembro. Se não fosse comprado, voltaria ao clube belga e ficaria fora dos jogos decisivos. “Teve um dia, depois de um almoço, que estávamos indo embora e o Cuca me chamou, junto com o Veríssimo. Ele ligou para o presidente e falamos pela primeira vez diretamente sobre a permanência, foi muito importante esse momento”, conta Peres. O zagueiro virou o rosto de uma defesa sólida ao lado de Lucas Veríssimo, que deixou o clube após a final, em 30 de janeiro, negociado com o Benfica. Desde então, o time ainda não tem um substituto definido. O último testado, Luiz Felipe, saiu como um dos jogadores mais criticados por torcedores na goleada por 4 a 0 sofrida para o São Paulo, no último sábado. O time também perdeu o volante Diego Pituca, negociado com o Kashima Antlers (JAP). Luan Peres chegou ao clube em 3 agosto de 2019, indicado pelo técnico Jorge Sampaoli, no último dia da janela de transferências, como um nome pouco conhecido no país. Tinha passagens pela Portuguesa, onde foi formado, Ponte Preta e Fluminense. Virou titular, primeiramente como lateral esquerdo, e depois na posição de origem. Ficou marcada na memória dos santistas a cena do jogador ajoelhado do gramado no Maracanã chorando, enquanto os palmeirenses ainda comemoravam a conquista. “Foi o trabalho de um ano inteiro, uma Libertadores que ninguém esperava, onde fizemos coisas incríveis. Tomar um gol em uma bola despretensiosa doeu demais. Tiveram outros atletas que choraram em campo também”, relata. O Santos, agora, busca um recomeço em cenário tão ou mais difícil quanto o anterior. Para chegar à fase de grupos, precisará passar pelo Lara, e, na fase seguinte, pelo vencedor do confronto entre Universidad de Chile (CHI) e San Lorenzo (ARG). A equipe não terá novamente Marinho na estreia, que ainda realiza aprimoramento físico após recente recuperação de Covid-19. Holan também tem dúvidas no gol, entre João Paulo e John, e tenta queimar etapas para conhecer o elenco. Ele também não conta com Laércio, Madson, Kaio Jorge, Jobson, Carlos Sánchez e Raniel, todos no departamento médico. “Perdemos o Veríssimo, o Pituca, não podemos contratar, mas sabemos hoje o poder do nosso grupo. Essa camisa já provou que é pesada muitas vezes. Sei da minha importância, chego como um dos remanescentes”, explica o zagueiro. O Santos jamais perdeu para equipes venezuelanas na história da Libertadores. Foram sete vitórias e dois empates até aqui. Na última participação em fases preliminares do torneio, em 2007, passou facilmente pelo Blooming (BOL), com um time recheado de estrelas -venceu por 1 a 0, fora de casa, e goleou por 5 a 0 na Vila. A equipe ainda não venceu na nova temporada. Até aqui foram dois empates e uma derrota nas três primeiras rodadas do Paulista, mas, novamente, quer provar que sabe como ninguém superar números e adversidades. SANTOS João Paulo; Balieiro, Kayky, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Sandry, e Jean Mota; Soteldo, Ângelo e Lucas Braga. T.: Ariel Holan DEPORTIVO LARA Luis Curiel; Daniel Carrillo, Víctor Sifontes, Jonathan España e Henry Pernía; Luis Vargas, Jesús Bueno, Javier García e César González; Ángel Sánchez e Johan Arrieche. T.: Martín Brignani Estádio: Vila Belmiro, em Santos (SP) Horário: 19h15 (de Brasília) desta terça (9) Árbitro: Andrés Matonte (URU) VAR: Enrique Caceres (PAR) Transmissão: Fox Sports

Deixe um comentário