Passageiros se aglomeram em trens do metrô e CPTM no primeiro dia útil da fase vermelha em SP

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As aglomerações e o fluxo contínuo de passageiros em trens e estações do metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) contrastou com o vazio das ruas de algumas regiões da capital paulista, na manhã desta segunda-feira (8), primeiro dia útil da fase vermelha do Plano São Paulo, a mais restritiva com relação a medidas de prevenção à Covid-19. O governo de São Paulo, gestão João Doria (PSDB), colocou todo o estado na fase vermelha desde a 0h de sábado (6). A medida valerá até o dia 19 de março para tentar barrar a evolução da curva de infecções, óbitos e internações devido ao novo coronavírus. Por volta das 6h50, a reportagem chegou em uma das plataformas de embarca da estação Corinthians-Itaquera, da linha 3-vermelha do metrô. Os passageiros se aglomeravam nos cercadinhos que controlam o fluxo de entrada nos trens, diferentemente do entorno da estação, vazio e com pouco movimento de pedestres. Com a chegada dos trens, porém, nem todos embarcavam, como a analista bancária Paloma Góes, 25 anos. “Me sinto insegura de entrar no vagão muito cheio e, por isso, espero um pouco, até esvaziar um pouco. Em minha opinião, essa fase vermelha não resolve nada no metrô, como está dando pra ver [com as aglomerações]”, afirmou. Ela embarcou em um trem, menos cheio, cerca de cinco minutos depois. O intervalo entre a saída e chegada dos trens foi de entre três e quatro minutos no local, conforme calculado até às 7h05, quando o Agora embarcou em uma composição, sentido Barra Funda. A reportagem permaneceu em frente à porta 38, do carro G 113, onde também estava a auxiliar administrativa Jéssica Castro Santos, 29. Ela usa a linha diariamente para trabalhar, na região da estação Marechal Deodoro, penúltima antes do fim da linha, na Barra Funda. “Você vai ver, até chegar na Sé, vai lotar de gente. Isso é uma hipocrisia, por parte do governo, pois proíbe as pessoas de se aglomerar no lazer, nos fins de semana, mas não faz nada pra controlar as aglomerações que acontecem todos os dias [no transporte público]”, criticou. Conforme Jéssica havia antecipado, o vagão foi enchendo a cada parada, até que na estação Carrão já era impossível evitar o contato físico com outros passageiros. O local também estava muito quente e sem ventilação. De tempos em tempos, alertas sonoros orientavam os passageiros para usar máscara, álcool em gel e também para evitar conversar ao telefone, falar com outras pessoas, ou ainda consumir bebidas e alimentos que, neste caso, obriga a retirada de máscaras de proteção. O aperto e aglomeração se manteve até a estação Sé, onde parte dos passageiros desembarcou, caminhando ainda aglomerados, principalmente nas escadas rolantes, para embarcar na linha 1-azul, sentido Jabaquara (zona sul) ou Tucuruvi (zona norte), para onde o Agora seguiu por volta das 7h40, até chegar na estação Luz, que faz interligação com a CPTM e a linha 4-amarela. Centenas de passageiros circulavam pelo local, principalmente desembarcando da CPTM e indo para o metrô, fazendo com que não parecesse que todo o estado está na fase mais restritiva do Plano São Paulo. Sentado em um banco no meio das plataformas 2 e 3 da CPTM, o ajudante geral Benício Vieira de Almeida, 57, aguardava, por volta das 8h30, até dar o horário para entrar no trabalho, às 9h. Ele afirmou não ter sentido diferença no fluxo de passageiros, nesta segunda-feira, em relação a outros dias em que vigoraram medidas menos restritivas de circulação. “Só na rua, que está deserta, é que dá para perceber que está na fase vermelha”, observou. Morador de Guaianases (zona leste), Almeida acrescentou preferir chegar atrasado, quando evita embarcar em vagões muito cheios, ao se expor às aglomerações nos trens. Ele ainda ironizou o alerta sonoro do metrô, que afirma “todos juntos contra o coronavírus.” “Que está todo mundo junto e aglomerado, nos trens e ônibus, não há como negar. Mas isso está mais a favor do que contra a Covid-19”, disse. Ainda na estação Luz da CPTM, a gerente de operação de atendimento Mariza de Jesus Nevez, 54 anos, aguardava à distância o trem no qual pretendia embarcar, para chegar em São Caetano do Sul (ABC), onde trabalha há cerca de uma semana. Moradora de Santana (zona norte), ela afirmou usar ônibus, metrô e CPTM para chegar ao serviço. “Os três transportes estão sempre cheios e hoje [segunda] não mudou nada, as pessoas continuam se aglomerando”, afirmou. Ela disse ainda estar “menos preocupada” com uma eventual contaminação pelo novo coronavírus, pois afirmou já ter sido imunizada, em 17 de fevereiro, na Unidade Básica de Saúde Nossa Senhora do Brasil, na Bela Vista (centro), com a primeira dose da Coronavac. Na ocasião, ela foi entregar exames na unidade, no fim do expediente, quando lhe ofereceram uma dose que havia sobrado, a chamada “xepa da vacina”. “Mesmo assim, ainda me previno [usando máscara e álcool em gel]. Vou tomar a segunda dose nesta quarta-feira [10]. Depois disso, vou me sentir mais segura, mas vou manter os protocolos de prevenção”, acrescentou a gerente, mostrando a carteirinha de vacinação à reportagem para provar. Na parte externa da estação da Luz (centro), praticamente deserta, havia somente pessoas em situação de rua circulando e abertos comércios como lanchonetes, em sistema de compra e leva, além de bancas de jornais, o que é permitido pelo Plano São Paulo nesta fase mais restritiva. Em seguida, a reportagem foi à República, também na região central, onde nas ruas estava clara a proibição de abertura de comércios e aglomeração de pessoas. Na rua do Arouche, um comerciante afirmou que, até por volta das 9h30, as vendas haviam caído cerca de 60%, em relação à semana passada. “Não dá para ver quase ninguém na rua. Isso já está repercutindo nas minhas vendas.” A estação República, da linha 3-vermelha do metrô, também estava vazia, em relação as outras onde o Agora esteve. Deste local, a reportagem foi para o Brás, região de comércio popular e conhecido pela aglomeração de clientes. Por volta das 9h40, centenas de pessoas desembarcavam dos trens da CPTM no Brás, repetindo as aglomerações para usar as escadas rolantes, como na estação da Luz, e fazer a baldeação para o metrô. Fora da estação, dezenas de ambulantes vendiam, principalmente roupas, a poucos metros de distância de uma base fixa da GCM (Guarda Civil Metropolitana). Apesar disso, a região estava vazia, com lojas fechadas. Questionados, o metro, a CPTM e a Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem. A Vigilância Sanitária estadual de São Paulo autuou 15 estabelecimentos na capital por descumprirem as regras da fase vermelha da quarentena na segunda noite das novas regras. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, os locais promoviam aglomerações e funcionavam em desacordo com as normas.

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