Encontro com Netanyahu adia reunião de Ernesto com produtores de spray nasal

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JERUSALÉM (FOLHAPRESS) – Ocupado com sua campanha eleitoral às vésperas das eleições de 23 de março, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu um nó na programação da delegação brasileira em visita a Israel. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, seria recebido pelo premiê na terça (9), mas, depois de várias mudanças, foi chamado repentinamente para um breve encontro nesta segunda (8). A alteração acabou adiando em um dia o principal compromisso da comitiva brasileira durante a viagem: uma reunião com representantes do Centro Médico Sourasky –conhecido como Hospital Ichilov–, de Tel Aviv, para discutir a adoção, no Brasil, de um spray nasal contra o coronavírus. O medicamento EXO-CD24 foi anunciado no começo de fevereiro e testado em 30 voluntários em estado grave que estavam internados no Ichilov. Segundo o hospital, 29 pacientes se recuperaram em 3 a 5 dias. Ainda não há, no entanto, resultados publicados em artigo científico de fase 1, a ser concluída apenas em 25 de março, segundo a base internacional Clinical Trials, que reúne dados sobre experimentos de medicamentos, diagnósticos e vacinas com pessoas no mundo todo. O governo brasileiro quer assinar um acordo para realizar as fases 2 e 3 dos testes com o spray nasal no Brasil. Nessa etapa inicial da pesquisa se avalia a segurança de uma droga para uma doença específica, mesmo que a droga já seja testada e aprovada para outra enfermidade. O EXO-CD24 já é usado para tratamento especificamente de câncer de ovário. “A fase 1 é feita com um pequeno número de pessoas, geralmente na casa das dezenas, para testar dosagem e toxicidade. Não há, nesta fase, uma preocupação em testar se o medicamento funciona”, explica Natália Pasternak, microbiologista da USP. Netanyahu recebeu Ernesto e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho de Bolsonaro, por alguns minutos pouco antes das 11h (horário local). À reportagem o chanceler brasileiro exaltou a parceria entre os dois países e definiu o encontro como excelente. Eduardo Bolsonaro divulgou fotos da reunião, nas quais ele aparece entregando uma carta de seu pai a Netanyahu. Todos estavam de máscara, mas o deputado deixou o nariz descoberto -o que aconteceu algumas vezes desde sua chegada a Israel. O filho 03 também se encontrou com o filho do primeiro-ministro israelense, Yair, conhecido por defender seu pai nas redes sociais por vezes de forma agressiva. Em sua conta no Twitter, Eduardo diz ter trabalhado a imagem do Brasil na conversa com Yair. A comitiva brasileira também teve um encontro com representantes do Ministério da Saúde de Israel no hotel cinco estrelas onde está hospedada, o King David, o mais tradicional e famoso de Israel. Todas as reuniões de trabalho acontecem no local devido às restrições da pandemia. Os visitantes só puderam sair para serem recebidos pelo chanceler israelense Gabi Ashkenazi, no domingo (7), e pelo premiê. Todos os encontros acontecem com o uso obrigatório de máscaras. Para receber a delegação brasileira, o governo de Israel exigiu que todos os membros seguissem protocolos sanitários envolvendo testes PCR antes da decolagem e na chegada ao hotel. Os membros da comitiva terão que seguir as restrições sanitárias do país, que está saindo paulatinamente de um terceiro lockdown de cinco semanas (de 27 de dezembro a 7 de fevereiro) e de alguns dias com toque de recolher durante o feriado de Purim (25 a 28 de fevereiro). É obrigatório, por exemplo, o uso de máscaras em qualquer lugar, incluindo prédios e locais públicos, sob multa de até 500 shekels (cerca de R$ 865). Para o secretário de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência e Tecnologia, Marcelo Morales, o Brasil não está apenas buscando tecnologia israelense, mas também levando a Israel desenvolvimentos brasileiros. Um dos assuntos, por exemplo, foi a cooperação em vacinas nacionais. “Eles [os israelenses] estão no mesmo estágio do desenvolvimento da vacina que nós. É muito importante que possamos unir esforços para desenvolvimento de mais vacinas. Pensando nas mutações, isso é uma questão de soberania nacional. Porque esse vírus veio para ficar”, disse Morales, acrescentando que o Brasil pode ter uma vacina nacional no final deste ano ou começo do ano que vem. Apesar do otimismo, os testes em hamsters feitos pela Fiocruz, que é vinculada ao Ministério da Saúde, acabam de começar e ainda partirão para provas em primatas não humanos. O Instituto Butantan, do governo de São Paulo, tem projetos em fase pré-clínica e outros em etapas anteriores. Segundo relatório do Ministério da Saúde, atualizado em 30 de novembro de 2020, há 16 projetos de pesquisa para o desenvolvimento de uma vacina em andamento no país -todos em fase pré-clínica, quando testes são realizados em células ou animais. Na lista de vacinas em desenvolvimento da OMS, porém, apenas três projetos brasileiros foram registrados até o início de janeiro. À tarde, a delegação brasileira se reuniu com representantes da Agência Espacial israelense. O principal assunto discutido foi a participação do Brasil no lançamento da espaçonave não tripulada israelense Bereshit 2 para a Lua, em 2024. A primeira sonda, a Bereshit, foi enviada ao espaço em abril. Mas, devido a uma falha em seu motor, caiu e se estraçalhou. A cooperação havia sido fechada ainda no Brasil, em reunião entre o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, e o ex-embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, em fevereiro.

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