Estrangeiros saem da Bolsa brasileira após intervenção de Bolsonaro na Petrobras

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A intervenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Petrobras impulsionou a saída de R$ 6,784 bilhões em investimento estrangeiro da Bolsa brasileira em fevereiro, o pior saldo mensal desde julho de 2020, sem considerar as compras de ações em ofertas iniciais (IPOs) e subsequentes de ações (follow-on). Entre os dias 1º e 18 de fevereiro, antes de Bolsonaro dar o primeiro sinal de que interferiria mudança na estatal, havia uma entrada líquida de R$ 4,6 bilhões de dinheiro estrangeiro, de acordo com dados da B3. No dia 22, a segunda-feira após o anúncio de troca no comando da estatal, saíram R$ 6,85 bilhões, segundo dados da B3 compilados pela XP. No dia 23, foram R$ 2,35 bilhões a menos. Nos últimos três pregões do mês, a venda de ações desacelerou e o saldo foi negativo em R$ 2,14 bilhões.” “Se tem uma coisa que gringo não aceita é problemas de governança. A temática de ESG lá fora fica cada vez mais forte”, afirma Romero Oliveira, diretor de renda variável da Valor Investimentos. ESG é a sigla para melhores práticas ambientais, sociais e de governança e é um fator que ganha cada vez mais relevância nas decisões de investidores. A saída de recursos se estende pelos dois primeiros pregões de março, com saldo negativo de R$ 1,5 bilhão até o dia 2. No ano, o saldo ainda está positivo em R$ 15,3 bilhões, em razão dos R$ 23,5 bilhões de entrada líquida em janeiro, mês em que o início do governo Joe Biden nos Estados Unidos deu um tom positivo aos mercados. Um reflexo da deterioração da imagem do Brasil aos olhos do investidor estrangeiro foi a piora dos principais indicadores financeiros do país. Desde a crítica de Bolsonaro ao atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em uma live na noite do dia 18 de fevereiro, o dólar subiu 4,4% ante o real, que teve o terceiro pior desempenho dentre emergentes no período, atrás apenas da lira turca e do rand sul-africano. Em relação às principais moedas globais, o dólar americano se valorizou apenas 1,5% no mesmo intervalo, segundo dados da Bloomberg. O risco-país, desde então, subiu 23%, indo de 159,7 pontos para 196,5 pontos, maior nível desde novembro de 2020. O CDS funciona como um termômetro informal da confiança dos investidores em relação às economias dos países, especialmente emergentes. Se o indicador sobe, é um sinal de que os investidores temem o futuro financeiro do país; se ele cai, o recado é o inverso. Além da incerteza quanto à agenda liberal do governo, o mercado se preocupa com a piora da pandemia no Brasil e a volta do auxílio emergencial. Apesar do teto para a ajuda estabelecido pela PEC Emergencial, contrapartidas imediatas para o novo gasto não foram apresentadas. Investidores temem o aumento de gastos do governo, pois ele eleva a relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) e deteriora a capacidade de o país honrar com seus compromissos. A alta nos juros futuros refletem este temor. O juro para outubro de 2021 foi de 2,905% ao ano para 3,295% desde o dia 18 de fevereiro. O juro para março de 2025 foi de 6,63% ao ano a 6,95% ao ano. Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. São a principal referência para o custo de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro. Além da intervenção na Petrobras, há um outro fator que impulsiona a saída de recursos do Brasil: a alta nos juros dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), o que impulsiona um fluxo de investimentos para os Estados Unidos em detrimento de países emergentes. COMO LEVAR DINHEIRO PARA O EXTERIOR MOEDAS ESTRANGEIRAS Uma das formas mais simples de fugir do risco Brasil é por meio do investimento, no Brasil, em moedas estrangeiras fortes, como o dólar, euro, libra esterlina e o franco suíço, que tendem a se valorizar ante o real em momentos de crise. Para isso, especialistas recomendam a compra de fundos cambiais ou de contratos derivativos, como o contrato futuro de dólar. AÇÕES ESTRANGEIRAS Outro método para acessar os mercados internacionais é via BDR (recibo depositário de ações, na sigla em inglês) e ETF (fundo de índice). Ambos são negociados em reais na Bolsa de Valores brasileira da mesma forma que ações. O BDR permite que o brasileiro invista em ações de empresas listadas fora da Bolsa brasileira por meio de um recibo. Além da variação do papel, ele reflete a flutuação diária no câmbio. Já o ETF dá a possibilidade de investir indiretamente em um índice acionário estrangeiro, como o americano S&P 500. Há ETFs no Brasil que replicam o mercado de ações de outras regiões também, como China e Europa. Fundos de investimento que investem em ativos internacionais são outra opção para acessar ativos de outros países. CORRETORAS NO EXTERIOR O brasileiro também pode abrir uma conta em uma corretora no exterior pela internet e acessar mais produtos financeiros em outros países, como as Treasuries. São exigidos praticamente os mesmos documentos necessários para abrir uma conta em corretora brasileira: passaporte ou documento de identidade e comprovante de residência. Algumas instituições pedem cópia do Imposto de Renda. Com a conta aberta, é preciso enviar os recursos para fora do país com incidência do IOF (imposto sobre operações financeiras). Os valores investidos devem ser informados ao Banco Central, de acordo com o calendário de declarações de capitais no exterior. As aplicações também devem ser reportadas à Receita Federal na declaração do Imposto de Renda, e, quando há ganho, os valores são tributados aqui no Brasil. Cada corretora tem um custo por transação e também pode haver custo para manutenção da conta. CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR Desde os atentados do 11 de Setembro, aumentaram as restrições e a requisição de documentos para a abertura de contas de estrangeiros no exterior como forma de conter o financiamento do terrorismo e a lavagem de dinheiro. Segundo especialistas, para abrir uma conta em bancos tradicionais dos EUA, como Goldman Sachs e Bank Of America, é preciso que algum conhecido faça a ponte com o gerente. Em bancos digitais e fintechs, o processo é menos burocrático, mas, mesmo com a abertura pela internet disponível, pode ser necessário comparecer a uma sede física para dar continuidade ao processo. Uma alternativa mais simples é abrir a conta no exterior por um braço de um banco brasileiro nesse país. OFFSHORE Para o público de alta renda, a criação de uma offshore pode ser uma alternativa na redução de custos. Segundo especialistas, com uma quantia no exterior acima de US$ 300 mil (R$ 1,7 milhão) já é vantajoso abrir uma offshore. Uma offshore é uma empresa aberta no exterior. A preferência, geralmente, é por países com menos tributações, como Panamá, Bahamas e Ilhas Cayman. Para abrir a empresa, é preciso procurar um escritório de advocacia ou empresas especializadas nesse serviço. Abrir uma offshore não é ilegal, desde que feito de acordo com as leis do Brasil e do país em que a empresa está sediada. Também é preciso prestar contas à Receita Federal e pagar os impostos devidos.

Deixe um comentário