Variante britânica do coronavírus é até 90% mais transmissível, estimam cientistas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois estudos trazem novos dados sobre a variante B.1.1.7 do coronavírus, primeiramente detectada no Reino Unido. Segundo artigo publicado na quarta-feira (3) na prestigiosa revista Science, a variante é de 43% a 90% mais transmissível do que as linhagens anteriores do vírus, segundo análises estatísticas de pesquisadores de Inglaterra, Escócia, Bélgica e Estados Unidos. Os cientistas afirmam que medidas de controle rigosoras, incluindo o fechamento de instituições educacionais e a aceleração da distribuição das vacinas contra o vírus, são necessárias para evitar que os números de internações e mortes causadas pela Covid-19 na Inglaterra em 2021 superem os registros do ano passado. Segundo os cientistas, a variante –presente em diversas partes do mundo atualmente– mostrou ser mais transmissível também em países como Estados Unidos, Dinamarca e Suécia em taxas na faixa de 59% a 74%. A B.1.1.7 foi detectada inicialmente em dezembro de 2020 no sudeste da Inglaterra. Rapidamente, a variante se tornou a mais frequente no Reino Unido e se espalhou para fora do continente europeu. Uma variante do vírus surge quando cópias do patógeno acumulam diversas mutações que lhe conferem vantagens para sobreviver e se reproduzir com mais facilidade. No caso da B.1.1.7, existem 17 mutações –oito delas no revestimento em forma de espinhos que envolve o vírus e é o responsável pela invasão nas células humanas. De acordo com cientistas, quanto mais o vírus se espalha e interage com organismos humanos, maiores as chances de novas variantes surgirem. Assim, controlar as taxas de transmissão não só evitam hospitalizações e mortes pela doença como também reduz as probabilidades de que novas formas do vírus eventualmente mais violentas possam aparecer. A maior transmissibilidade do Sars-CoV-2 preocupa médicos no mundo todo. A Covid-19 tem uma letalidade considerada baixa, mas quanto mais pessoas se infectam com a doença, maior é a demanda por leitos de UTI e outros cuidados médicos, o que pressiona os sistemas de saúde já bastante massacrados pela pandemia. Mas a variante B.1.1.7 também pode ser mais letal, apontou um outro estudo divulgado em meados de fevereiro por cientistas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. Segundo estimativa dos pesquisadores, o risco de morte para quem desenvolve a Covid-19 com a variante britânica cresce 58%. O estudo foi divulgado em formato de pré-publicação (pré-print) e ainda não passou por uma revisão de outros pesquisadores da área. Para Nicholas Davies, epidemiologista que liderou as duas pesquisas sobre a nova variante, está claro que a B.1.1.7 contribuiu para que a Inglaterra tivesse taxas de internações e mortes altas no início deste ano. “Mesmo com medidas restritivas, 42 mil pessoas morreram de Covid-19 na Inglaterra nos primeiros dois meses de 2021, número de mortes igual ao do período de março a outubro de 2020 (oito meses). Estou certo de que muitas dessas vidas não seriam perdidas se não tivéssemos a variante”, afirmou o pesquisador em suas redes sociais.

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